
Tarde de outono
Me deixo levar ao sabor do vento
como uma leve folha que cai, lentamente
sem pressa, sem destino
e percorre o espaço infinito que há entre o galho e o chão.
Não me preocupo se chove ou se faz frio
e, se chover, ou o frio vier
prefiro sentí-los, o frio e a chuva
misturados a milhares de outras sensações,
como se fossem o mais profundo segredo que se possa conhecer,
como se fossem as últimas coisas vivas no mundo,
as únicas que se possa amar
pois não esperam nada de mim,
não procuram nada em mim
e por isso eu lhes dou o meu sorriso mais sincero,
e lhes encaro com meus olhos humildes,
e lhes abro meus ouvidos e meu coração
meu velho coração,
tão velho quanto o mundo,
talvez mais,
e que agora pulsa nesse corpo jovem.
Meu velho coração é um rio
silencioso e calmo,
sem começo nem fim.
(Gabriel Azevedo)
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