terça-feira, 28 de dezembro de 2010

MINHA ESTRANHA LOUCURA


Minha estranha loucura
é tentar te entender e não ser entendida
É ficar com você
Procurando fazer parte da tua vida
Minha estranha loucura
É tentar desculpar o que não tem desculpa
É fazer dos teus erros
Num motivo qualquer a razão da minha culpa
Minha estranha loucura
É correr pros teus braços quando acaba uma briga
Te dar sempre razão
E assumir o papel de culpado bandido
Ver você me humilhar
E eu num canto qualquer dependente total do teu jeito de ser
Minha estranha loucura
É tentar descobrir que o melhor é você

Eu acho que paguei o preço por te amar demais
Enquanto pra você foi tanto fez ou tanto faz
Magoando pouco a pouco me perdendo sem saber
E quando eu for embora o que será que vai fazer?

Vai sentir falta de mim
Sentir falta de mim
Vai tentar se esconder coração vai doer
Sentir falta de mim

Minha estranha loucura
É correr pros teus braços quando acaba uma briga
Te dar sempre razão
E assumir o papel de culpado bandido
Ver você me humilhar
E eu num canto qualquer dependente total do teu jeito de ser
Minha estranha loucura
É tentar descobrir que o melhor é você

Eu acho que paguei o preço por te amar demais
Enquanto pra você foi tanto fez ou tanto faz
Magoando pouco a pouco me perdendo sem saber
E quando eu for embora o que será que vai fazer?

Vai sentir falta de mim
Sentir falta de mim
Vai tentar se esconder coração vai doer
Sentir falta de mim...


Alcione

Vai passar
Esse meu mal estar
Esse nó na garganta
Deixe estar...
O próprio tempo dirá
Água demais mata a planta
Tudo que é muito, é demais
Peço: me perdoe a redundância
Entrelinhas só quero lembrar
Que a terra fértil um dia se cansa
É uma questão de esperar
Relógio que atrasa não adianta
E o remédio que cura
Também pode matar
Como água demais mata a planta

(Casuarina)

Mulher Ideal

Eu sou aquilo que sou, e se quiser me mudar
Você vai se arrepender, pois foi assim que gostou
Foi desse jeito que amou, além do bem e do mal
Sou a mulher ideal
Não adianta fugir, não adianta correr,
Me procurar por ai, você não vai encontrar
Melhor você se entregar, melhor você desistir
O seu lugar é aqui
As loucuras que eu fiz pra te satisfazer
Só pra te ver feliz, pra te dar mais prazer
Um banquete de amor que eu quis te oferecer
Sem vergonha e sem medo
Você não entendeu, você não deu valor
Você desmereceu, minha prova de amor
Mas, se alguém foi vulgar, esse alguém não fui eu
Teu desejo pediu, meu amor atendeu
De coração tão puro, eu mergulhei no escuro
E por mais que procure uma outra igual
Pra você serei sempre a mulher ideal
De coração tão puro, eu mergulhei no escuro
E me entreguei como nunca, jamais me entreguei
Só eu sei dos limites que ultrapassei
De tanto que eu te amei

Alcione
Devo pedir teu perdão...

Se tu me adicionar
Na tua organizada vida
Quem sabe posso acrescentar
Amor, calor, vigor, ardor
Porque teu pensar nunca
Conseguirá subtrair
O afeto e o imaginar
Aquilo tudo que agora
Desejas de mim
Me apossei do teu coração
Assim como tomaste o meu
Não podemos fugir mais
Nem ignorar esta paixão...

Mas, um dia sei lá onde
Iremos nos encontrar
Nem sei o que faremos
Quem sabe só fiquemos
A nos olhar... pois não
Soubemos resolver nada
Assim tinha que ser...

As renúncias transmutaram
O amor... o que ele se tornará?
Sempre disseste para não me iludir
Devo aceitar qualquer devir
Devo, também, pedir teu perdão
Pela situação que criei sem sentir
Só desejava ser mais feliz...


ALICE LUCONI NASSIF




PERDEU PERDEU!


Perdeu, Perdeu
Você mandou outra vez ,que eu juntasse meus panos e fosse
Me dispensou, sem me dar um aviso sequer e nem uma razão
Ardeu, queimou, mas pimenta nos olhos dos outros é doce
Não me cegou, porque sempre te vi com o olhar do perdão
Você achou que nós dois assinamos um simples contrato sem data
Não registrou, eu nem tive o direito da sua consideração
Mandou e andou, pois saudade no peito dos outros não mata
E não matou, mas cortei um dobrado com a dor da separação
Agora sim, você pensou
Até que enfim, lembrou de mim, me procurou
Eu esperei por tanto tempo esse momento
E quando chega, eu nem aí estou
Perdeu, perdeu
Seu lugar no meu peito, sem compaixão
Perdeu, perdeu
O seu lado da cama e do coração
Perdeu, perdeu
Eu perdia de zero e ganhei uma virada no fim
Perdeu, perdeu
Se pensou que podia me ter na prisão
Perdeu, perdeu
Pois sou eu que me prendo numa paixão
Perdeu, perdeu
Eu voltei a viver minha vida e ser dona de mim!

Alcione

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

PODE ESPERAR



Pode Esperar


Nada como um dia atrás do outro
Tenho essa virtude de esperar
Eu sou maneira, sou de trato, sou faceira
Mas sou flor que não se cheira
É melhor se previnir pra não cair
Sou mulher que encara um desacato
Se eu não devolver no ato
Amanhã pode esperar
Estrutura tem meu coração
Pra suportar essa implosão
Que abalou meus alicerces de mulher
Mas a minha construção é forte
Sou madeira, sou de morte
Faça o vento que fizer.

Alcione

Composição: Roberto Correa / Sylvio Son

SAGRADA ESCRITURA DOS VIOLEIROS

A defesa é natural
Cada qual para o que nasce
Cada qual com sua classe
Seus estilos de agradar
Um nasce pra trabalhar
Outro nasce para briga
Outro vive de intriga
E outro de negociar
Outro vive de enganar
O mundo só presta assim
É um bom outro ruim
E eu não tenho jeito para dar
Pra acabar de completar
Quem tem o mel, dá o mel
Quem tem o fel, dá o fel
Quem nada tem, nada dá...

Texto recitado em um show por Zé Ramalho, em resposta a todos aqueles que de alguma maneira, tentaram impedir a realização de seu trabalho chamado "Zé Ramalho canta Raul Seixas".


Tinha em uma das mãos uma xícara vazia e na outra um cigarro.
As horas no ponteiro passam como páginas vazias de um livro que não leio,
e a solidão me abraça, sorrateiramente, e num balé simétrico,
os olhos cerram, me convidando para mais uma dança entre mim e eu mesmo,
no silêncio cabal que envolve aqueles que não têm outra opção
a não ser ceder ao abraço do edredom.

(Desconhecido)

Sobre Café e Cigarros

 
quando voce entra
vindo pra cá
(como se distribuísse doces)

meu cigarro disfarça
minha alma fica louca
como se tivesse saído
de dentro de mim

...tarde demais
finja que não o vê, coração
finja que não precisa dele
olhe além...
finja que não o ama
seja atrevida como o diabo

sorria e finja estar feliz...
fria e sem remorsos

Vania Lopez

POEMA DO AMIGO

Moranalover - Café coração 

Escuta meu amigo...

A qualquer hora em que chegares,

 sentarás comigo à minha mesa.

A qualquer hora em que bateres a minha porta,

 o meu coração também se abrirá.

A qualquer hora em que chamares,

eu me apressarei.

A qualquer hora em que vieres,

será o melhor tempo de te receber.

A qualquer hora em que te decidires,

estarei pronto para te seguir.

A qualquer hora em que quiseres beber,

eu irei a fonte.

A qualquer hora em que te alegrares,

eu bendirei ao Senhor.

A qualquer hora em que sorrires,

será mais uma graça que o senhor me concede.

A qualquer hora em que quiseres partir;

eu irei à frente nos caminhos.

A qualquer hora em que caíres,

eu estenderei os braços.

A qualquer hora, em que te cansares,

eu levarei a cruz...

A qualquer hora em que te sentires triste,

eu permanecerei contigo.

A qualquer hora em que te lembrares de mim,

eu acharei a vida mais bela.

A qualquer hora em que partires,

ficarás com a lembrança de uma flor.

A qualquer hora em que voltares,

renovarás todas minhas alegrias.

A qualquer hora que quiseres uma rosa,

eu te darei toda roseira.

Eu te digo tudo isso, porque não posso imaginar

uma amizade que não seja toda,

de todos os instantes e para todo bem.

Cid Moreira

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não
querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das
estrelas!

Mario Quintana

Primavera
Ah! quem nos dera que isso, como outrora,
inda nos comovesse! Ah! quem nos dera
que inda juntos pudessemos agora
ver o desabrochar da primavera!
Saíamos com os passaros e a aurora,
e, no chão, sobre os troncos cheios de hera,
sentavas-te sorrindo, de hora em hora:
"Beijemo-nos! amemo-nos! espera!"
E esse corpo de rosa recendia,
e aos meus beijos de fogo palpitava,
alquebrado de amor e de cansaco....
A alma da terra gorjeava e ria...
Nascia a primavera...E eu te levava,
primavera de carne, pelo braço!

 (Olavo Bilac)

SOBRE LOBOS E OVELHAS

“Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha”
Victor Hugo

"É loucura para o carneiro promover uma conferência de paz com o lobo."
Autor: Beatriz Camelo

"Nunca mande ovelhas para matar um lobo."




"Me jogue aos lobos,que voltarei liderando a matilha."

TODO ERRADO

Todo Errado

Eu não peço desculpas e nem peço perdão
Não, não é minha culpa
Essa minha obsessão
Já não aguento mais ver o meu coração
Como um vermelho balão
Rolando e sangrando
Chutado pelo chão
Psicótico, neurótico, todo errado
Só porque eu quero alguém que fique
Vinte e quatro horas do meu lado
No meu coração eternamente colado.

Caetano Veloso E Jorge Mautner

Fotografia (Leoni)


Hoje o mar faz onda feito criança
No balanço calmo a gente descansa
Nessas horas dorme longe a lembrança
De ser feliz
Quando a tarde toma a gente nos braços
Sopra um vento que dissolve o cansaço
É o avesso do esforço que eu faço
Pra ser feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar.
Quando as sombras vão ficando compridas
Enchendo a casa de silêncio e preguiça
Nessas horas é que Deus deixa pistas
Pra eu ser feliz
E quando o dia não passar de um retrato
Colorindo de saudade o meu quarto
Só aí vou ter certeza de fato
Que eu fui feliz
O que vai ficar na fotografia
São os laços invisíveis que havia
As cores, figuras, motivos
O sol passando sobre os amigos
Histórias, bebidas, sorrisos
E afeto em frente ao mar.

"Hoje eu acordei sem nada no estômago, sem nada no coracão, sem ter para onde correr, sem colo, sem peito, sem ter onde encostar, sem ter quem culpar. Hoje eu acordei sem ter quem amar, mas aí eu olhei no espelho e vi, pela primeira vez na vida, a única pessoa que pode realmente me fazer feliz."

(Tati Bernadi)

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

UMA VOZ NA PEDRA

Uma voz na pedra

Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.
Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.
De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha ebriedade é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.
O que eu amo não sei. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.
Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.
Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.

Antonio Ramos Rosa

 

domingo, 31 de outubro de 2010


"O orgulho não quer dever e o amor próprio não quer pagar."

(François La Rochefoucauld)

 Podem me tirar tudo que tenho, só não podem tirar as coisas boas que eu fiz pra quem eu amo.

Dependendo do rosto, quebrar o espelho traz sorte.

"Lagrimas detidas – meus olhos. Sofro, porem já não batalho entre saudade e esquecimento. Não tenho tempo."

(Cecília Meireles)


Se esconde nas sombras que se movem
Nos objetos que não mais servem,
Nas pessoas que nunca mais vimos
Na podridão das frutas que não foram colhidas
Nas lembranças nunca esquecidas...

Nas estradas que nos separam,
Nos sorrisos ja calados,
Nas lágrimas que secaram
Nos meus versos declamados...

Nas fotos que se desbotam
Nas cartas que amarelam,
Nas crianças que crescem
Nas rugas que aparecem...

Num vidro seco de perfume,
No ar puro de outrora
No derradeiro ciúme,
Em tudo o que penso agora...

Não se esvazia,
Não se esconde
Não morre,
Só existe.
Perdê-lo é viver em vão...

O tempo...

Cantada (Depois de ter você)

Depois de ter você,
pra quê querer saber que horas são?
Se é noite ou faz calor,
se estamos no verão,
se o sol virá ou não,
ou pra quê é que serve uma canção como essa?

Depois de ter você, poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas,
pra quê amendoeiras pelas ruas?
Para quê servem as ruas?
Depois de ter você...

 (Adriana Calcanhoto)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010



A lucidez perigosa

Estou sentindo uma clareza tão grande
que me anula como pessoa atual e comum:
é uma lucidez vazia, como explicar?
assim como um cálculo matemático perfeito
do qual, no entanto, não se precise.


Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.


(Clarice Lispector)

domingo, 17 de outubro de 2010


Existem pessoas como a cana, que mesmo postas na moenda, reduzidas ao bagaço, só sabem dar doçura!!

Não se acostume com o que não o faz feliz,
revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças,
 mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

(Fernando Pessoa )

Eu te amo - Chico Buarque/Tom Jobim



Ah, se já perdemos a noção da hora
Se juntos já jogamos tudo fora
Me conta agora como hei de partir

Ah, se ao te conhecer
Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios
Rompi com o mundo, queimei meus navios
Me diz pra onde é que inda posso ir

Se nós nas travessuras das noites eternas
Já confundimos tanto as nossas pernas
Diz com que pernas eu devo seguir

Se entornaste a nossa sorte pelo chão
Se na bagunça do teu coração
Meu sangue errou de veia e se perdeu

Como, se na desordem do armário embutido
Meu paletó enlaça o teu vestido
E o meu sapato inda pisa no teu

Como, se nos amamos feito dois pagãos
Teus seios ainda estão nas minhas mãos
Me explica com que cara eu vou sair

Não, acho que estás te fazendo de tonta
Te dei meus olhos pra tomares conta
Agora conta como hei de partir

quarta-feira, 13 de outubro de 2010


Hoje eu tô que nem vidro: se cair eu quebro, mas se pisar eu corto!
 
"Não é só bater na porta certa, mas bater até abrir." (Guy Falks )

domingo, 10 de outubro de 2010


A hora certa do saber

Se eu soubesse que iria realizar
não faria promessas
Se eu soubesse que iria chover
Levaria sombrinha
Se eu soubesse que era mentira
Não acreditaria
Se eu soubesse que era escuro
Fecharia os olhos
Se eu soubesse que beleza é natural
Teria tirado a maquiagem que á tampa
Se eu soubesse que o silencio diz tanto
Não teria procurado palavras
se eu soubesse que ira me resfriar
Levaria um agasalho
Se eu soubesse que era letra “c”
não teria marcado “D”
Se eu soubesse que ria me machucar
não teria corrido atrás
Se eu soubesse que a vida ria passar
Terá desligado a televisão
Se eu soubesse que tinha uma Trilha
Não teria dado voltas
Se eu soubesse que rir é o melhor remédio
Não gastaria dinheiro com pílulas de tristeza
Porém, se eu soubesse que cairia de novo não teria me levantado

(Jessica Neto)

sábado, 9 de outubro de 2010


Paciência só para o que importa de verdade.
Paciência para ver a tarde cair.
Paciência para sorver um cálice de vinho.
Paciência para a música e para os livros. 
Paciência para escutar um amigo.
Paciência para aquilo que vale nossa dedicação.

(M. Medeiros)

Pelo o que me diz respeito
Eu sou feita de dúvidas
O que é torto, o que é direito
Diante da vida
O que é tido como certo, duvido
E não minto pra mim
Vou montada no meu medo
E mesmo que eu caia
Sou cobaia de mim mesma
No amor e na raiva
Vira e mexe me complico
Reciclo, tô farta, tô forte, tô viva
E só morro no fim
E pra quem anda nos trilhos cuidado com o trem
Eu por mim já descarrilho
E não atendo a ninguém
Só me rendo pelo brilho de quem vai fundo
E mergulha com tudo
Pra dentro de si
Lá do alto do telhado pula quem quiser
Só o gato que é gaiato
Cai de pé...

Sou uma mulher madura
Que às vezes anda de balanço
Sou uma criança insegura
Que às vezes usa salto alto
Sou uma mulher que balança
Sou uma criança que atura

(Martha Medeiros)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010


"Passei o dia com teu, céu lá fora choveu, em mim fez sol"

Você já veio com contra indicação
altos riscos de contaminação

Chegou assim de vírus, radiação
contaminando minh' alma e coração ...

Assim que vi você
Logo vi que ia dar coisa
Coisa feita pra durar,
Batendo duro no peito
Até eu acabar virando
Alguma coisa
Parecida com você
Parecia ter saído
De alguma lembrança antiga
Que eu nunca tinha vivido,
Mas ia viver um dia
Alguma coisa perdida
Que eu nunca tinha tido
Alguma voz amiga
Esquecida no meu ouvido
Agora não tem mais jeito,
Carrego você no peito
Poema na camiseta
Com a tua assinatura
Já nem sei se é você mesmo
Ou se sou eu que virei alguma coisa tua

"Uma moça polida levando uma vida lascada."


"O menino me ensina como um velho sábio o quanto sou menina."

"Já não temo fantasmas
invoco a todos
que venham em bando
povoar meus dias
atormentar minhas noites
entre tantos
loucos e livres
existe um
que é doce
e que me
falta."

"vontade de ficar sozinha
só pra saber
se você ia
ou vinha
quando deixou
esse bagaço
no meu peito
pedaço estreito
defeito na mercadoria do jeito
que você queria"

terça-feira, 5 de outubro de 2010


“Se os fatos estão contra mim, pior para os fatos.” 
 Nelson Rodrigues

"É que só sei ser impossível, não sei mais nada. Que é que eu faço para conseguir ser possível?"
(ClariceLispector)

O sonho encheu a noite
Extravasou pro meu dia
Encheu minha vida
E é dele que eu vou viver
Porque sonho não morre.
(Adelia Prado)


" NÃO TENHO TEMPO ALGUM, PORQUE SER FELIZ ME CONSOME"

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Amor Feinho



Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado, é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte, o amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial; o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher.
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.
(Adelia Prado)

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Temporada das Flores


Que saudade agora me aguardem,
Chegaram as tardes de sol a pino,
Pelas ruas, flores e amigos,
Me encontram vestindo meu melhor sorriso,
Eu passei um tempo andando no escuro,
Procurando não achar as respostas,
Eu era a causa e a saída de tudo,
E eu cavei como um túnel meu caminho de volta.

Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores.

Eu te trago um milhão de presentes,
Que eu achava que já tinha perdido,
Mas estavam na mesma gaveta,
Que o calor das pessoas e o amor pela vida...

Me espera estou chegando com fome,
Preparando o campo e a alma pra as flores,
E quando ouvir alguém falar no meu nome,
Eu te juro que pode acreditar nos rumores.

Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores.

(Leoni)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O Tempo e as Jabuticabas


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver
daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela
menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela
chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir
quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos
para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem
para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir
estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.

Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões
de 'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo
majestoso cargo de secretário geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas
não debatem conteúdos, apenas os rótulos'.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a
essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente
humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta
com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não
foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados,
e deseja tão somente andar ao lado do que é justo.

Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse
amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo.'
O essencial faz a vida valer a pena.

(Ricardo Gondim)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Sem Remédio



Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!

Florbela Espanca

Saudade


Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.


Pablo Neruda

Sorri quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos vazios

Sorri quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador

Sorri quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados doridos

Sorri vai mentindo a sua dor
E ao notar que tu sorri
Todo mundo irá supor
Que és feliz!

Charles Chaplin