quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

"Se o passado ajudasse, eu estaria do seu lado e não lá atrás."

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

MORREU UM POUCO DE TUDO

Estou pensando em nós
É só o que tenho feito
Na solidão destes dias.
Com tua despedida
Morreu um pouco de mim,
Morreu um pouco de tudo
Com tua ausência.
Na madrugada em que te escrevo este poema
Sinto que estou menos viva.
Morreu um pouco de tudo
Em tudo o que conhecemos juntos.
Chego a janela da noite imensa
E a quietude da vida
Me diz que tudo está morrendo.
Penso em ti,
Até vejo tua sombra nas sombras da noite.
Agora uma estrela passa pelos meus olhos.
E só para mim e este poema
Faço três pedidos absurdos
(Mas nem ouso confessá-los de tão impossíveis).
De tudo morreu um pouco,
Em tudo o que vejo e toco.
A janela aberta
Mostra a noite imensa.
Estou exausta da espera inútil.
E em meus olhos cansados
Outra estrela risca o céu negro.
E então refaço os três pedidos absurdos:
TE ESQUECER, ESQUECER,ESQUECER...

Queria ter lhe conhecido antes
Muito antes...
Para que nenhum de nós dois tivesse
Medos ou cicatrizes...
Queria ter estado com você
Quando seu coração descobriu
O que era AMOR
Quando seu corpo descobriu
O que era DESEJO
E antes que pudesse sofrer
Eu estaria do seu lado
Amando-lheEntregando-me
E juntos poder ter aprendido
As lições da vida e do coração...
Queria ter lhe conhecido muito antes
Quando suas esperanças
Começaram a nascer...
Quando seus sonhos ainda eram puros
E seus ideais ainda ingênuos...
Pena termos nos encontrado só agora
Já com o coração viciado
Em outros amores
Com uma imagem meio falsa
Do que é felicidade


(Autor Desconhecido)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Posted by Picasa
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Velha Chácara

de

A casa era por aqui…
Onde? Procuro-a e não acho.
Ouço uma voz que esqueci:
É a voz deste mesmo riacho.

Ah quanto tempo passou!
(Foram mais de cinqüenta anos.)
Tantos que a morte levou!
(E a vida… nos desenganos…)

A usura fez tábua rasa
Da velha chácara triste:
Não existe mais a casa…

- Mas o menino ainda existe.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009


Caminho sempre sem criar expectativas,
como um andarilho que nunca para de andar...
Sigo o rumo das estrelas,
deixo que elas me levem para qualquer lugar,
mas já não me perco mais na hora de voltar,
não tenho mais a pressa de antes,
que tantas vezes me fez tropeçar...
Mas eu não quero nunca deixar de pecar,
ficaria sem graça alguma viver sem errar.

(Rosangela Cunha)

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Butterfly


Hoje vi uma borboleta,
ao flutuar ao sabor do vento;
Suas asas batiam com esplendor,
Num passear desatento.

Era de uma tal beleza,
Era uma maravilha de se ver;
Era uma obra de majestade,
Cheia de graça e de poder.

E dei comigo a pensar...
Com o que se pode tal beleza comparar?
Então, pois claro, pensei em ti,
E desejei que estivesses aqui.

Deus foi mesmo extra cuidadoso
Quando te criou e formou;
também tu, és uma maravilha,
Mas Deus ainda não terminou.

Todos os dias faz mudanças,
que outros não vêm no fim;
Mas tu já és uma autentica perfeição,
Pelo menos, és para mim.

(Autor Desconhecido)

AMOR DE BORBOLETAS


Voa borboleta com amor
no meu jardim admirável
Vais de flor em flor,
num desejo incomensurável

Teu futuro é o presente
com outra borboleta que se advinha
As duas juntas pousam levemente,
onde o seu amor se alinha

E as duas, se vão amandonas minhas flores de encantar
Depois, em outros jardins vão voando
onde a esperança se vai engrinaldar
Neles, vão elas pousaR

Procurando o trevo de boa sorte
Mais tarde irão encontrar,
sua paz final da morte

(Fernando ramos)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância, eu estava no lugar certo, na hora certa, no momento exato.
E então, pude relaxar.
Hoje sei que isso tem nome…Auto-estima.
Quando me amei de verdade, pude perceber que minha angústia, meu sofrimento emocional, não passa de um sinal de que estou indo contra minhas verdades.
Hoje sei que isso é…Autenticidade.
Quando me amei de verdade, parei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a ver que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento.
Hoje chamo isso de… Amadurecimento.
Quando me amei de verdade, comecei a perceber como é ofensivo tentar forçar alguma situação ou alguém apenas para realizar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou a pessoa não está preparada, inclusive eu mesmo.
Hoje sei que o nome disso é… Respeito.
Quando me amei de verdade comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável…
Pessoas, tarefas, tudo e qualquer coisa que me pusesse para baixo.
De início minha razão chamou essa atitude de egoísmo.
Hoje sei que se chama… Amor-próprio.
Quando me amei de verdade, deixei de temer o meu tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os projetos megalômanos de futuro.
Hoje faço o que acho certo, o que gosto, quando quero e no meu próprio ritmo.
Hoje sei que isso é… Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer sempre ter razão e, com isso, errei menos vezes.
Hoje descobri a… Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro.
Agora, me mantenho no presente, que é onde a vida acontece.
Hoje vivo um dia de cada vez.
Isso é…Plenitude.
Quando me amei de verdade, percebi que minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando a coloco a serviço do meu coração, ela se torna uma grande e valiosa aliada.
Tudo isso é… Saber viver!!!


(Charlie Chaplin)

Adeus - por não haver adeus,
Apenas um livro que se fecha
Sem chegar à última página
Uma lágrima escorrida
Que não é percebida
E pinga sobre a última palavra
Adeus - por entregar a Deus
A chave de ouro deste soneto
Que falava de amor
E que hoje faz parte
De um papel rasgado
Adeus – por não haver Deus
Nesta bíblia sem fé
Nossa parábola da distância
E do esquecimento
Adeus, jogos de palavras
E metáforas amargas
Com pinceladas
De humor negro
Adeus – trágica epopéia
A triste história
Da nossa trajetória
Nem assim tão bela
Faltou apenas uma palavra
Para completar nosso livro:Adeus!
Adeus ao bonito e ao feio
Adeus a ti que veio
A ti que foi
Adeus, protagonista vilão
Adeus, milonga de violão
Adeus!
Adeus ao que fica ao que vai
Adeus, redondilhas, haikais
E todas formas poéticas
Adeus, história sem fim
Adeus, crônica de botequim
Adeus, meu Deus,
Adeus

(Michelle Fernandes)

Menino, não vou ficar, eu vou
Eu vou pra entender
Quem eu sou
Atrás da linda moça que amava
E assim que sair eu vou chorar
Sem você
Mas é que atrás da linda moça que amava
Em algum lugar
Tá uma mulher que também sou
Que escolhe andar por onde vão seus pés
E se hoje fico aqui
Ela parou
Te falo quem quer o bem

Para seu amor
Ama como é
E ama sua liberdade
Amanhã ou depois sem os véus da moça que amava

Eu ainda amarei
Quem um dia me amou
E ainda que aí não possa
A moça está em algum lugar
Com ela agora há uma mulher
Que escolhe andar por onde vão seus pés
Que escreve, antes de ler seu destino
Eu tenho que ir,amado
Adeus menino

(Autor Desconhecido)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Guitarra

Cecília Meireles

Punhal de prata já eras,
punhal de prata!
Nem foste tu que fizeste a minha mão insensata.
Vi-te brilhar entre as pedras,
punhal de prata!
No cabo flores abertas,
no gume, a medida exata,
exata,
a medida certa,
punhal de prata,
para atravessar-me o peito
com uma letra e uma data.
A maior pena que eu tenho,
punhal de prata, não é de me ver morrendo,
mas de saber quem me mata.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

A Um Ausente


Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aqui escência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais gravedo que o ato sem continuação,
o ato em si,o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banaisque eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.

(Carlos Drummond de Andrade)

Fresta

Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem,
Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado
Revivo, existo, conheço,
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração.
(Fernando Pessoa)

Soneto do Amor Total


Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

(Vinicius de Morais)

Fumo


Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!
Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!
Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...
Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...

(Florbela Espanca)

Lembranças


Que eu conheça a tristeza
pois só assim saberei quando encontrar
a verdadeira felicidade
Que a mentira seja usada contra mim
para que possa guardar para sempre
o valor da palavra "verdade"
Que eu ouça sua voz ao menos uma última vez
pois ela será como música
companheira de minhas noites em claro, sofrendo a infelicidade
Que sinta seu cheiro novamente
para me embriagar em lembranças felizes
recordar de quando éramos únicos, singularidade
Que possa tocá-la novamentesentir sua pele,
seu calore mais uma vez me acalmar com carinho e tranqüilidade
Que possa provar ao menos um último beijo
aquecer meu coração agora solitário
e guardar em minha alma o gosto do amor, pela eternidade

(Rafael Simões Frieling)

Para meu coração teu peito basta
para que sejas livre, minhas asas.
De minha boca chegará até o céu
o que era adormecido na tua alma.
Mora em ti a ilusão de cada dia
e chegas como o aljôfar às corolas.
Escavas o horizonte com tua ausência,
eternamente em fuga como as ondas.
Eu disse que cantavas entre vento
como os pinheiros cantam, e os mastros
Tu és como eles alta e taciturna.
Tens a pronta tristeza de uma viagem.
Acolhedora como um caminho antigo,
povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Despertei e por vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam em tua alma.

(Pablo Neruda)

Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor, a sangue e a fogo.

(Pablo Neruda)

Um Beijo


Foste o beijo melhor da minha vida,
ou talvez o pior...Glória e tormento,
contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.
Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante
por que, feliz, eu não morri contigo?
Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto...

(Olavo Bilac)

Deixa o Olhar do Mundo


Deixa que o olhar do mundo enfim devasse
Teu grande amor que é teu maior segredo!
Que terias perdido, se, mais cedo,
Todo o afeto que sentes se mostrasse?
Basta de enganos!
Mostra-me sem medo
Aos homens, afrontando-os face a face:
Quero que os homens todos, quando eu passe,
Invejosos, apontem-me com o dedo.
Olha: não posso mais!
Ando tão cheio
Deste amor, que minh'alma se consome
De te exaltar aos olhos do universo...
Ouço em tudo teu nome, em tudo o leio:
E, fatigado de calar teu nome,
Quase o revelo no final de um verso


(Olavo Bilac)